Liderança na era da IA exige decisão autônoma

Especialista pontua que a nova liderança exige curadoria, escolha de ferramentas e alinhamento com a governança corporativa

Publicado em 5 de janeiro de 2026 | 08:06 |Por: Julia Magalhães

A liderança na era da inteligência artificial está menos centrada em hierarquia e mais relacionada à autonomia individual. Com o avanço das ferramentas de IA Generativa, profissionais de diferentes níveis técnicos passaram a ter acesso a assistentes digitais capazes de apoiar decisões operacionais e táticas.

Segundo o especialista Diego Nogare, esse novo contexto exige que cada profissional atue como líder de suas escolhas tecnológicas. O especialista tem 25 anos de experiência na área de Dados, com foco em Inteligência Artificial e Machine Learning desde 2013 e já passou por grandes empresas como Microsoft, Deloitte, Bayer e Itaú.

“Decidir se um algoritmo deve ser otimizado manualmente ou via sugestão de IA é uma escolha de liderança técnica”, explica Nogare, que tem 25 anos de experiência na área de dados e atua com IA e machine learning desde 2013. A competência central, segundo ele, passa a ser a estratégia de uso da ferramenta, não apenas sua execução braçal.

Relatório recente da MIT Technology Review Brasil em parceria com a Peers Consulting mostra que 73,5% das empresas ainda relatam dificuldades para se preparar para projetos de IA, revelando um descompasso entre o uso pessoal e o uso corporativo dessas tecnologias, que demandam maior atenção a privacidade, ética e governança.

Curadoria e postura crítica

A liderança moderna também exige postura crítica diante da IA. “Confiar cegamente na tecnologia é um erro grave que pode comprometer projetos inteiros”, alerta Nogare. Ele defende que a relação com a IA deve ser como a de um piloto com seu copiloto: o profissional comanda, valida e decide, enquanto a IA apenas auxilia.

A IA Generativa está sujeita a alucinações e erros plausíveis, mas tecnicamente incorretos. Por isso, a revisão técnica se torna mais importante do que a geração inicial. A capacidade de curadoria é, segundo Nogare, o novo diferencial dos profissionais sêniores, que precisam identificar falhas sutis e garantir a consistência do resultado final.

Escolha de ferramentas como liderança

A seleção adequada de ferramentas é também um ato de liderança. O mercado oferece opções distintas para gerar códigos, criar imagens, resumir textos ou analisar documentos. Saber qual ferramenta usar, em qual contexto, impacta diretamente a eficiência e a segurança das operações.

Nogare alerta para riscos como o uso de IA pública em documentos sensíveis, o que pode violar diretrizes de compliance. “Enviar um relatório financeiro confidencial para uma IA pública é uma falha de liderança grave”, afirma.

Governança e responsabilidade

A autonomia traz consigo a responsabilidade de seguir as normas corporativas. Ignorar essas diretrizes ao utilizar ferramentas não homologadas – prática conhecida como Shadow AI – coloca dados e estratégias empresariais em risco. Mesmo assim, segundo o MIT, apenas 40% das empresas possuem assinaturas corporativas de modelos de linguagem, enquanto mais de 90% dos funcionários admitem usar IA no trabalho sem governança formal.

“A inovação não pode custar a segurança jurídica ou técnica da organização”, afirma Nogare. Para ele, a liderança na era da IA exige alinhamento entre escolhas individuais e estratégias de compliance.

Novo perfil de profissional

O modelo descentralizado de liderança altera também o perfil dos profissionais de tecnologia. A eficiência não está mais apenas na execução, mas na capacidade de gerir suas ferramentas, revisar entregas e tomar decisões técnicas com discernimento.

“A liderança na era da IA não elimina a gestão corporativa, mas redefine responsabilidades individuais. Quem lidera sua IA tem vantagem; quem é liderado por ela, fica vulnerável”, conclui.

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