Novo consumo transforma marcas e negócios

O novo consumo desafia marcas com exigências por propósito, autenticidade e emoção. Entenda como isso está mudando o varejo e a estratégia das empresas

Publicado em 14 de janeiro de 2026 | 08:10 |Por: Julia Magalhães

Mais emocional, exigente e conectado, o perfil do novo consumo está redefinindo o papel das marcas. Se antes a disputa era entre produtos, hoje a competição acontece entre experiências, valores e conexão emocional. O consumo deixou de ser uma simples transação e passou a ser uma forma de expressão pessoal.

Segundo pesquisa da Ipsos divulgada em 2025, 75% dos brasileiros afirmam que empresas têm responsabilidade direta sobre sustentabilidade, impacto social e ética. Esses fatores se tornaram decisivos nas escolhas de compra. Para consumidores, o propósito deixou de ser discurso e passou a ser critério.

“O consumidor de agora não quer apenas comprar. Ele quer pertencer, sentir-se ouvido e ver sentido nas escolhas que faz. Entender essa lógica é essencial para qualquer marca que queira se manter relevante nos próximos anos”, afirma o fundador do Think Thank Mercado & Opinião, Marcos Koenigkan.

Para ele, a tecnologia é importante, mas precisa ser combinada à sensibilidade. “A empresa que olha apenas para dados e não para pessoas perde a alma da marca e, consequentemente, o cliente”.

Conexão emocional como diferencial ao novo consumidor

O cofundador do Mercado & Opinião, Paulo Motta, reforça que vivemos uma revolução guiada pela emoção. “A jornada de compra deixou de ser linear. O cliente pesquisa, compara, abandona o carrinho, retorna e só compra se sentir conexão. O consumo se tornou cada vez mais emocional e menos racional”.

Na mesma linha, a fundadora do Grupo Salus, Carla Sarni, afirma que a autenticidade virou um ativo estratégico. “As pessoas buscam marcas coerentes, com valores reais e atitudes consistentes. Não é perfeição que se espera, mas verdade e propósito”.

Varejo sob nova expectativa

O CEO da C&A, Paulo Corrêa Jr., destaca que o consumidor dita o ritmo e a expectativa do varejo. “Ele quer personalização, rapidez, sustentabilidade e representação. As empresas que não se adaptarem à pluralidade do consumidor moderno inevitavelmente ficarão para trás”.

Essa pressão transforma o varejo em um setor que precisa lidar com demandas contraditórias: entregar escala e, ao mesmo tempo, manter empatia e personalização.

Essa lógica também chega ao varejo moveleiro, especialmente no contato com consumidores mais exigentes, que esperam móveis que expressem estilo, valores e impacto ambiental reduzido.

Indústrias que apostam em design autoral, materiais sustentáveis e atendimento consultivo saem na frente. No ponto de venda, ganha espaço quem consegue traduzir essa conexão emocional em atendimento humanizado e posicionamento coerente com o novo consumidor.

Propósito como prática, não discurso

O fundador da StartSe, Júnior Borneli, aponta que estamos em um ponto de inflexão do capitalismo. “Não se trata apenas de vender mais. O consumidor atual percebe inconsistências rapidamente. As marcas que tratam propósito como prática, e não como narrativa, vão liderar a próxima década”. Para ele, a transformação exige mudança interna nas organizações: cultura, liderança e processos precisam refletir aquilo que se comunica externamente.

Esse conjunto de visões compartilhadas por lideranças empresariais mostra que compreender o novo consumo é antecipar movimentos culturais, mais do que apenas observar métricas de mercado. “Quem decifrar o consumidor antes da concorrência liderará o futuro”, resume Koenigkan.

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