Reforma tributária expõe atraso nas empresas

Reforma tributária avança com menos de 10% das notas com IBS e CBS e revela desafios nas empresas; tema foi discutido no All Tax Summit em São Paulo

Publicado em 6 de abril de 2026 | 08:14 |Por: Julia Magalhães

Reforma tributária começa a pressionar as empresas brasileiras em uma etapa considerada crítica: a adaptação operacional e tecnológica ao novo modelo de arrecadação. Apesar do início da implementação, menos de 10% dos documentos fiscais emitidos no País já registram os tributos IBS e CBS.

O dado evidencia um ritmo ainda lento de adequação diante da complexidade da mudança. A avaliação foi reforçada durante o 2º All Tax Summit, realizado nos dias 31 de março e 1º de abril, em São Paulo (SP), que reuniu representantes do setor público, executivos e especialistas em tecnologia.

Segundo o auditor fiscal da Secretaria da Fazenda da Bahia e coordenador técnico do Encontro Nacional de Coordenadores e Administradores Tributários Estaduais (Encat), Álvaro Bahia, a adesão ainda está distante do necessário. “O volume de documentos fiscais com destaque de IBS e CBS ainda é muito pequeno frente ao total de notas emitidas no Brasil. Existe uma tendência cultural de deixar a adaptação para a última hora, mas a reforma exige preparação antecipada”, afirma.

Bahia ressalta que a mudança não se limita ao campo tributário. “Não estamos falando apenas de uma reforma tributária. Trata-se também de uma mudança tecnológica e financeira, com novos processos de arrecadação e mecanismos inéditos de controle fiscal”, diz.

Documento central

No novo modelo, os documentos fiscais eletrônicos passam a ocupar papel central. Eles servirão de base para a apuração assistida, o split payment e novos mecanismos de crédito financeiro.

Na prática, isso significa que a qualidade das informações registradas pelas empresas terá impacto direto no cálculo e no recolhimento de tributos. O Brasil já conta com uma das maiores infraestruturas de documentos fiscais eletrônicos do mundo, conectando empresas, sistemas financeiros e administrações tributárias em tempo real.

Essa base digital será fundamental para sustentar o novo modelo de imposto sobre valor agregado previsto na reforma tributária. Além disso, empresas começam a revisar sua arquitetura de dados e sistemas internos. Executivos de companhias como Grupo Alloha, GWM e especialistas da SAP discutiram, durante o evento, a necessidade de integração entre áreas como fiscal, tecnologia, logística e financeiro.

A exigência vai além da tecnologia. As empresas precisam revisar classificações fiscais, padronizar cadastros e garantir consistência nas informações. Segundo Bahia, erros nesses processos terão impacto direto no resultado. “Se houver erro na classificação fiscal ou inconsistência nas informações cadastrais, o cálculo tributário também estará errado. O sistema passa a depender diretamente da qualidade dos dados”, afirma.

Reforma tributária e tecnologia

Especialistas apontam que a reforma tributária inaugura um novo ciclo de desafios tecnológicos tanto para o setor público quanto para a iniciativa privada. O modelo exige integração entre documentos fiscais, sistemas corporativos, plataformas de arrecadação e infraestrutura financeira.

Entre as mudanças estruturais está a apuração assistida, que automatiza parte do cálculo tributário com base nas informações declaradas pelas empresas. Para executivos da All Tax, empresa especializada em automação fiscal, a discussão começa a migrar do campo jurídico para o tecnológico. O foco passa a ser a estruturação de dados, integração de sistemas e qualidade da informação.

Esse movimento indica uma mudança de perfil nas áreas fiscais corporativas, que passam a demandar maior proximidade com tecnologia e governança de dados. A transição prevista pela reforma ocorrerá ao longo da próxima década, com a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pelos novos IBS e CBS.

Nesse contexto, especialistas consideram o momento atual decisivo. As empresas que anteciparem testes e ajustes terão mais segurança na transição. Bahia reforça que o período deve ser utilizado para adaptação progressiva. “O período atual é justamente para testar, errar e aprender. Quem deixar para se adaptar apenas quando a obrigatoriedade estiver completa poderá enfrentar riscos operacionais significativos”, conclui.

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