Por que e como introduzir a produção puxada na indústria moveleira

Pull System preza pela eficiência no uso dos recursos na medida em que dispensa estoques e trabalha a partir da demanda do cliente

Publicado em 20 de fevereiro de 2019 | 11:30 |Por:

Existem muitos métodos para dinamizar a produção das fábricas de móveis, entretanto alguns deles priorizam a economia de recursos e redução de desperdícios mais que outros. O sistema de produção puxada na indústria moveleira, por exemplo, consiste num conjunto de processos que prescinde de estoques, trabalhando a partir das demandas dos clientes – um esquema, portanto, adequado às fabricantes cujo diferencial é a customização dos produtos e atendimento personalizado.

Antes de explicar como e porque implementar a produção puxada na indústria moveleira, é preciso esclarecer a diferença entre este modelo do seu “oposto”, a produção empurrada. Conforme a explicação da Escola Senai de Itatiba (SP), a produção empurrada (do inglês Push System), é baseada a partir de uma previsão da demanda.

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Nesse sistema, o processo de produção da fábrica se inicia antes mesmo do recebimento do pedido do cliente, ou seja, cada processo produz uma determinada quantidade independente do consumo do processo seguinte. Uma das características desse sistema é a formação de estoques intermediários e de produtos acabados, uma vez que todo planejamento é baseado em uma previsão da demanda do cliente.

Já na produção puxada (Pull System) não se usam estoques. O cliente é o fator principal da produção, sendo o seu pedido o gatilho da fabricação do móvel. Ao contrário da produção empurrada, a preocupação de entrega desse modelo recai sobre a qualidade desejada pelo solicitante e não a quantidade em escala.

Nesse processo há uma redução dos estoques em processo, uma vez que a produção só é realizada de forma a entregar o que o cliente precisa, na quantidade e no momento que ele deseja.

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Na produção puxada não se usam estoques, sendo o cliente é o fator principal da produção

Por que a produção puxada na indústria moveleira?

Segundo os instrutores do Senai de Itatiba, Alexandre Nardini Alves e Juliana Aparecida Bouchardet, na indústria moveleira o que se vê muito nos dias de hoje é a busca dos clientes pela customização dos produtos. “Apesar de empresas produzirem o mesmo produto, utilizando a mesma tecnologia básica, em algum momento do processo ele se diferencia por exigência do cliente, seja na questão do acabamento ou na utilização de matéria-prima”, afirmam.

A manufatura enxuta nesse sentido contribui para o aumento da eficiência produtiva, envolvendo desde a alta direção até o guemba (chão de fábrica), atuando no processo produtivo dos principais produtos da empresa, e definindo as estratégias de intervenção dentro da filosofia Lean.

A principal vantagem produção puxada na indústria moveleira elencada pelos especialistas é a redução de desperdícios, que normalmente se localizam nos seguintes fatores:

Superprodução: produzir antes ou mais do que o necessário

Excesso de processamento: todo processo gerado além do solicitado pelo cliente.

Tempo de espera: espera desnecessária dentro do processo, por imposição de uma sequência de trabalho ineficiente.

Transporte em excesso: deslocamento excessivo de materiais e produtos.

Estoque: produzir mais do que as necessidades imediatas.

Movimentação: movimentação desnecessária dos operadores para cumprir uma tarefa.

Defeitos: produção de produtos ou peças com defeitos que geram correções.

Capital humano: não aproveitar corretamente o capital humano.

Como introduzir a produção puxada fábrica de móveis?

Para Alves e Bouchardet, o primeiro passo para introduzir a produção puxada na indústria moveleira é identificar o que é valor para o cliente e mapear o fluxo por onde esse valor flui por meio do “Mapa de Fluxo de Valor”. Dentro da metodologia da Manufatura Enxuta (Lean Manufacturing) tudo que não agrega valor diretamente ao produto é ineficiente e toda ineficiência é refletida no preço final do produto. O sistema enxuto busca reduzir os desperdícios dentro do processo.

Representação das diferenças entre o Pull System e o Push System

O Mapa de Fluxo de Valor fornece uma visão do processo desde o momento em que o cliente faz o pedido até o momento em que esse produto é entregue, fornecendo métricas principalmente relacionadas ao tempo.

O conceito de Lead Time, neste caso, é muito importante, pois mede o tempo que a peça leva para se mover ao longo de todo o processo ou fluxo de valor, reduzindo os desperdícios e as atividades que não agregam ao processo. O tempo para entrega do produto ao cliente também é reduzido.

A empresa, ao focar na eliminação dos desperdícios e na eliminação de atividades que não agregam valor ao ponto de vista do cliente, além de proporcionar menores Lead times, contribuem para aumentar a qualidade e diminuir os custos de produção.

O Núcleo Tecnológico da Madeira e Mobiliário do Senai-SP, localizado em Itatiba (SP), possui consultores especializados para prestação de serviços de assessoria em Lean Manufacturnig (Manufatura Enxuta) em empresas do setor moveleiro. Na assessoria, inicialmente é elaborado o mapa de fluxo de valor em que são mapeados os processos e identificados as atividades que agregam valor, os gargalos de produção e os desperdícios a serem eliminados.


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