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29 JANEIRO/FEVEREIRO 2024 A diversificação de fontes de matéria- -prima e a redução da dependência de recursos finitos, podendo aumentar a resiliência econômica em face de es- cassez ou flutuações de preços, é outra consequência. Bem como o estímulo à inovação sustentável, com a necessida- de de repensar processos e produtos para se adequarem ao novo plano. Por fim, a implementação bem-sucedida da economia circular gera uma mudan- ça cultural nas empresas e na socieda- de, incentivando uma abordagem mais consciente e responsável em relação aos recursos. A economia circular traz diversos bene- fícios para a indústria, proporcionando oportunidades para redução de custos, inovação, eficiência nos recursos e me- lhoria da reputação. A implementação eficaz da economia circular em uma indústria pode envolver diversas estra- tégias e práticas – algumas maneiras de como a economia circular pode ser aplicada na indústria moveleira pode ser lida no www.emobile.com.br. UNIÃO DE FORÇAS A sinergia entre indústria, varejo e con- sumidor é essencial para a economia circular, bem como o papel da esfera pública para a criação de leis e incen- tivos. Desse modo, o produto passa a não ir para o lixo e ser reutilizado até que seja esgotado seu uso. Para isso acontecer, Miranda aponta que a indústria precisa evoluir no plane- jamento de modelos de negócio que visem o prolongamento do uso de seus produtos, igualmente na implantação da prestação de serviços em reparo e na criação de embalagens que utilizem menos plástico e que tenham uma estrutura biodegradável, por exemplo. Além disso, o papel dos órgãos públicos somado a iniciativa privada é essencial. O consultor da YPY aponta que o governo precisa ampliar o serviço de coleta seletiva, as centrais de reci- clagem e o investimento em educação do cidadão. “Isso para que ele não só saiba o que fazer, mas também possa ter os meios eficientes em que sua mu- dança de comportamento terá o fluxo correto e eficiente para que o ciclo se complete da maneira correta”, destaca. No setor empresarial, o ponto mais importante a ser mudado na cabeça dos gestores e empreendedores é que este movimento não é um favor ou filantropia. “Está diretamente relacio- nado a uma demanda de seu cliente”, reforça Miranda, que é assertivo: “É legítimo e necessário que as empresas tenham lucro, mas é obrigatório que elas façam isso sem agredir o meio ambiente e respondendo os anseios de um consumidor cada vez mais exigente quanto a estes pontos”. Levantamento da PwC ao lado do Instituto Locomotiva indicou que 9 em cada 10 brasileiros das classes C, D e E direcionam hábitos de consumo às lojas e marcas sustentáveis. Ademais, 86% dos brasileiros estão dispostos a priorizar marcas e lojas sustentáveis, além de que mais da metade (53%) deixaram de comprar marcas por falta de responsabilidade social. Para adotar a economia circular, de acordo com João da Everbio, as empresas precisam realizar mudanças significativas em seus modelos de negócios. “Isso inclui incorporar design sustentável, estabelecer sistemas de logística reversa, assumir responsabili- dade estendida do produtor, explorar modelos de negócios circulares, investir em inovação tecnológica, educar os consumidores, colaborar na cadeia de suprimentos, implementar métricas de sustentabilidade, promover uma cultu- ra organizacional sustentável e garantir conformidade com regulamentações ambientais”, enumera João da Everbio. Segundo ele, essas mudanças visam reduzir o desperdício e promover a reutilização de produtos, contribuindo para um sistema mais sustentável. INICIATIVAS DE CIRCULARIDADE A aplicação da economia circular na indústria requer uma aborda- gem holística, integrando práticas sustentáveis em todas as fases do processo produtivo. “Ao adotar essas estratégias, as empresas podem não apenas contribuir para a sustentabili- dade ambiental, mas também colher benefícios econômicos e fortalecer sua posição no mercado”, ressalta Bira Miranda. O fundador da Everbio ressalta que empresas líderes de mercado como Google, Unilever, Adidas, Nike e Coca-Cola já adotaram a econo- mia circular em suas estratégias de negócio. “As oportunidades e vantagens para as empresas são as mais variadas: maior efetividade das cadeias produtivas, redução de desperdício, valorização da marca, acesso a novos mercados, maior facilidade para atender a legislação e atração de novos investimentos. Isso sem considerar os benefícios em sustentabilidade”, afirma. Na indústria moveleira, João Roberto aponta que a aplicação envolveria o design sustentável de móveis modu- lares, a implementação de logística reversa para coleta de móveis usados, serviços de refabricação e reparo, além do uso de processos de reci- clagem de materiais. “Essas práticas promovem eficiência operacional, re- dução de resíduos e atendimento às expectativas do consumidor”, conta. YPY Consulting “Alinhar a visão estratégica das empresas aos princípios de gestão ESG e economia circular é uma questão de sobrevivência”, reitera o consultor da YPY Consulting
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