Fornecedores 334
30 FORNECEDORES SOB MEDIDA 334 ECONOMIACIRCULAR REDES DE PESCA VIRAM MÓVEIS Ciente das ameaças que redes de pesca afetam a natureza marinha, a marca brasileira Eco Flame Garden decidiu criar uma coleção de pufes reaproveitando redes de pesca. Especializada no desenvolvimento de mobiliários para áreas externas, como lareiras, espreguiçadeiras, e pufes para jardim, neste último uma porcentagem do enchimento dos assentos é fabricada com redes de pesca abandonadas ou perdidas no mar. De acordo com o Greenpeace, as redes correspondem a mais de 85% do lixo plástico nos oceanos. Para produzir os pufes, as redes são retiradas do mar por ONGs parceiras, trituradas e confeccionadas para servirem de preenchimento. A cada pufe vendido da coleção, 5% do faturamento é destinado ao Projeto Tamar. Fonte: ciclovivo.com.br Um bom exemplo do conceito é o da famosa marca sueca Ikea (que inspirou o conceito da Tok & Stok e Etna) que criou móveis simples de desmontar e camas infantis extensíveis. Os produtos feitos para durar mais geraram ganho adicional na venda de mais de 7,2 mil peças de reposição e serviços de reparos. A marca também inaugurou sua primeira loja de segunda mão, com apenas produtos reutilizados ou recicla- dos, comprando seus móveis usados de clientes que não os queremmais, por até 50% do preço original, com o obje- tivo de diminuir o descarte das peças. Em 2021, quando faturou 41,9 bilhões de euros, a Ikea recolocou à venda mais de 40 milhões de produtos que poderiam ter ido para o lixo – a empresa sueca tem como meta aderir totalmente à economia circular até 2030. Outros casos exemplares nesta área são da startup estadunidense Nature Coatings, a holandesa Bundles e da brasileira Asta, que transforma resíduos pós-industriais em arte. Em seu site, a Efic conta alguns casos de boas práticas de economia circular no setor moveleiro. MODELO DE NEGÓCIO No que diz respeito a modelo de negó- cio, o World Business Council for Sustai- nable Developments classifica em cinco tipos: suprimentos circulares, extensão da vida útil do produto, plataforma de compartilhamento, recuperação de recursos e produto como serviço. A classificação ajuda a definir qual tipo de modelo se encaixa melhor no negócio e, então, aplicar a economia circular. Para isso, é preciso entender os desafios da empresa, criar um plano de transição e conhecer as regulamentações. Por exemplo, em 2020, a Organização Inter- nacional de Padronização (ISO) formou um comitê sobre o assunto (ISO/TC 323) com o objetivo de criar normas técnicas. Abrangendo todos os aspectos de uma economia circular, inclui produção e dis- tribuição, fim da vida útil, mudança de comportamento na sociedade e índice de circularidade. A economia circular contribui também para atender diversos itens dos Obje- tivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, como, por exemplo, a ODS 12: consumo e produção responsá- veis; a ODS 13: ação climática; e a ODS 15: vida em terra. No Brasil, a Comissão de Estudo Especial de Eco- nomia Circular da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT CEE/323) é um espelho da ISO/TC 323. Na verdade são três, a ISO 59004, sobre a estrutura inicial que uma organização deve ter para implemen- tar a economia circular; a ISO 59010, com diretrizes sobre modelos de negócios e cadeias de valor; e a ISO 59020 com aspectos quantitativos de uma economia circular. Para promover modelos de negócios circulares, Oliveria avalia ser necessá- rio realizar mudanças legais, incluindo fortalecimento da responsabilidade estendida do produtor, incentivos fiscais, estabelecimento de padrões e certificações, facilitação da logística reversa, apoio à economia colabora- tiva, garantia do direito à reparação, educação do consumidor, promoção de compras públicas sustentáveis, regulamentação da obsolescência programada e facilitação de parcerias público-privadas. “Essas alterações podem criar um ambiente legal propício para práticas sustentáveis e impulsionar a transição para uma economia mais circular”, afirma. Já Miranda sinaliza que é necessário um conjunto abrangente de polí- ticas e regulamentações. Algumas áreas nas quais as leis podem ser ajustadas ou implementadas para facilitar a transição para a economia circular são: 1 - Incentivos fiscais: Redução de impostos: oferecer incentivos fiscais para empresas que adotam práticas circulares, como a remanufatura de produtos, pode estimular a transição para modelos mais sustentáveis. 2 - Extensão de garantias e vida útil: Regulamentação sobre garantias: estabelecer padrões que incentivem ou até mesmo exijam a extensão das garantias para produtos, incentivando a durabilidade e reparabilidade. Everbio João Roberto de Oliveira, fundador da Everbio Soluções em Economia Circular
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