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25 JANEIRO/FEVEREIRO 2026 A entrada de produtos importados também contribui para o baixo crescimento do setor. Entre janeiro e outubro, o volume importado de bens de consumo cresceu 17,0% frente ao mesmo período de 2024, enquanto a importação de bens de capital e inter- mediários avançaram 8,8% e 6,9%, respectivamente. Diante desse contex- to, a CNI projeta que o PIB da Indústria de transformação encerre 2025 com crescimento de 0,7%. EXPECTATIVAS DA CNI Para 2026, espera-se um cenário de crescimento moderado, com projeção de 1,8% para o crescimento do PIB, refletindo a continuidade dos efeitos defasados dos juros reais elevados, mesmo com a previsão de redução gradual da taxa Selic. Esse patamar de juros ainda limitará investimentos e consumo de bens duráveis, seg- mentos tradicionalmente sensíveis ao crédito, avalia a entidade. Deste modo, o crescimento econômico do biênio 2025-2026 será o menor em cinco anos – veja no gráfico. Os desafios enfrentados pela indústria de transformação em 2025 devem per- sistir em 2026, avalia a CNI. Juros reais elevados continuarão restringindo crédi- to e consumo, enquanto a concorrência das importações seguirá pressionando a produção doméstica. Indicadores de expectativas não apontam reversão des- se quadro: em novembro, as projeções para demanda, exportações, emprego e compras de matérias-primas manti- veram trajetória de queda, segundo a Sondagem Industrial (CNI). Embora a confiança do empresário industrial (ICEI) tenha registrado três meses consecutivos de alta, o indicador permanece em patamar de falta de confiança há onze meses. A intenção de investimento também apresentou leve recuperação, mas insuficiente para reverter a tendência negativa observada ao longo do ano. Diante disso, a CNI espera continuidade do cenário de baixo crescimento em 2026, com projeção de alta de 0,5% no PIB da indústria de transformação em relação a 2025. SETOR MOVELEIRO De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de móveis em 2025 encerrou com acumulado negativo de 1,2% em relação ao ano de 2024. Até setembro de 2025, o acumulado do ano estava positivo em 1,4%, mas o resultado no último trimestre do ano passado determinou a queda na manufatura do mobiliário. No polo moveleiro de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, o ano de 2025 apresentou desafios como baixo cres- cimento da economia, turbulência no mercado internacional, desajuste fiscal do governo federal, juros elevados, entre outros. Sem dados de faturamen- to 100% fechados, dados da Sefaz (Se- cretaria de Estado da Fazenda) indicam que as cerca de 300 empresas do polo faturaram quase R$ 3,5 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, com crescimento real tímido, abaixo de 1% comparado a 2024. Cíntia Weirich, presidente do Sindmóveis Bento Gon- çalves, pondera que este aumento de faturamento não significa maior lucro, porque, além de fatores como carga tributária e custos operacionais, a mar- gem varia de indústria para indústria. No polo moveleiro de Linhares, no Espírito Santo, Vitor Guidini, presi- dente do Sindimol, compartilha que o ano de 2025 foi marcado por um cenário de acomodação e ajustes para a produção de móveis. “Não foi um ano de forte expansão, mas também não pode ser caracterizado como um ano de retração generalizada. O setor passou por um período de adaptação a um ambiente econômico mais desafiador, com custos elevados, crédito mais seletivo e consumo mais cauteloso”, declara. Segundo ele, a produção sentiu os efeitos diretos do comportamento mais conservador do consumidor, especialmente no mercado interno, o que exigiu maior controle de volumes, estoques e mix de produtos. Empresas mais organizadas, com gestão financei- ra estruturada e posicionamento claro, conseguiram manter sua produção equilibrada, enquanto outras precisa- ram rever estratégias para preservar margens e caixa. “De forma geral, 2025 deixou um aprendizado importante para a indús- tria brasileira de móveis: operar bem passou a ser mais relevante do que simplesmente crescer. O ano reforçou a necessidade de eficiência produtiva, planejamento e decisões mais cons- cientes, criando uma base mais sólida para os movimentos que o setor deverá fazer a partir de 2026”, afirma. CNI Evolução do PIB com projeção do CNI
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