Fornecedores 354

30 FORNECEDORES SOB MEDIDA 354 REFORMA TRIBUTÁRIA operação como um todo”, orienta o tributarista. Guerra destaca ainda a importância de entender o regime tributário dos fornecedores: “Saber se a indústria é do Simples Nacio- nal ou do regime geral impacta diretamente no aproveitamento de créditos e na formação do preço final”, comenta. A exigência por integração entre sistemas será total. Uma das ino- vações centrais é o split payment, mecanismo pelo qual o valor do tri- buto é automaticamente destacado e direcionado ao Fisco no momento da transação – o que impõe inte- gração entre emissão fiscal, ERP/ PDV e instituições financeiras. Do lado sistêmico, os ERPs precisam calcular CBS/IBS por item da nota, gerenciar créditos com rastreabili- dade, emitir documentos com des- taque dos tributos e conviver com a dupla apuração durante a transição (2026–2032). Na contabilidade, o papel ganha viés estratégico: análise de dados, gestão de créditos e suporte à decisão (precificação, logística e investimento) entram na rotina. Fer- ramentas de tax analytics ajudam a simular cenários e transformar dados brutos em inteligência aplica- da e passam a ser tão importantes quanto o controle de estoque. “Será uma contabilidade estratégi- ca, voltada à análise de dados, ges- tão de créditos e apoio à tomada de decisão”, destaca Guerra. A nova lógica tributária exigirá a revisão de contratos, margens e até mesmo processos operacionais. Sem incentivos fiscais estaduais, fábricas e CDs devem se aproximar do consumidor. Contratos de for- necimento e transporte devem ser atualizados com cláusulas específi- cas sobre responsabilidade tribu- tária e repasses. “Haverá impacto direto na formação de preços, nas margens da indústria e do varejo e na forma como os players da cadeia se relacionam”, afirma o advogado. O que realmente afetará o setor será a definição da alíquota padrão de IBS/CBS. “Este é o ponto a ser monitorado de perto nos próximos meses”, frisa Guerra. A reforma tributária já começou. E quem entender primeiro as novas regras estará em posição privilegiada para transformá-las em vantagem com- petitiva. Para Guerra, o primeiro passo prático é claro: o empresário moveleiro precisa sair da inércia e realizar um diagnóstico de impacto. Com ele, é possível simular a nova carga tributária, identificar riscos e oportunidades, e montar um plano de ação sólido. “A reforma é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Quem larga primeiro, com um plano bem definido, tem mais chances de cruzar a linha de chega- da na liderança”, compara. Freepik O que realmente afetará o setor de móveis na Reforma Tributária será a definição da alíquota padrão de IBS/CBS

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