Fornecedores 361

50 FORNECEDORES SOB MEDIDA 361 Uma pode declarar preocupação ambiental; outra pode incorporar uma organização ambiental ao desenvol- vimento de produtos ou cadeias que produzam regeneração mensurável. No primeiro caso, temos comunicação. No segundo, temos modelo de negócio com impacto incorporado. Empresas e OSCs possuem competên- cias complementares: a empresa tem escala, tecnologia, capital e acesso ao consumidor; a OSC tem conhecimento de causa, legitimidade, metodologias e relacionamento territorial. Combina- dos, podem gerar soluções com rele- vância social, demanda de mercado e receita. É aqui que as collabs precisam evoluir. A pergunta deixa de ser “Que ação social podemos fazer juntos?” e passa a ser: “Que produto, serviço ou experiência podemos desenvolver juntos que o mercado queira comprar e cuja venda produza impacto?” parte da criação de produtos, serviços e experiências com valor de mercado. Uma OSC pode cocriar soluções de empre- gabilidade, educação, esporte ou meio ambiente. O objetivo não é transformá-la em empresa, mas permitir que seu co- nhecimento e capacidade de transforma- ção participem de modelos econômicos que também financiem sua missão. Isso pode acontecer por royalties, licenciamento, participação sobre vendas, produtos cocriados, serviços ou experiências. Assim, a organização deixa de depender exclusivamente de quem financia sua causa e passa a participar de um negócio que remunera sua capacida- de de gerar impacto. Do lado empre- sarial, a mudança também é relevante. Quando produtos, preços, tecnologia e comunicação se aproximam, a decisão do consumidor incorpora dimensões que ultrapassam a funcionalidade. Por que eu escolheria esta empresa e não aquela? A resposta envolve confiança, identifi- cação e uma percepção de valor que vai além do produto. É nesse contexto que o impacto socioambiental pode deixar de ser agenda periférica e ocupar lugar estratégico na construção de marca. As empresas precisarão res- ponder não apenas “por que comprar de nós?”, mas também “por que a existência desta empresa é relevante para a sociedade?” Uma empresa pode dizer que apoia a educação. Outra pode criar, com uma OSC, um produto cuja venda financia oportunidades educacionais. Uma pode comunicar compromisso com empregabilidade; outra pode desenvol- ver uma solução que conecta pessoas vulneráveis ao mercado de trabalho. COLUNA Geração de impacto como ativo econômico BIRAMIRANDA linkedin.com/in/biramiranda Por Bira Miranda E xiste uma convergência entre dois mundos que, durante muito tempo, foram tratados separadamente: o das empresas e o das organizações da sociedade civil. De um lado, as OSCs enfrentam desafio estrutural. A dependência de doações, editais e leis de incentivo torna sua sustentabilidade financeira vulnerável a ciclos econômi- cos, mudanças de prioridades e decisões de terceiros. Capacidade de impacto, por si só, não garante sustentabilidade. Do outro, as empresas enfrentam desa- fio semelhante. Tecnologia, produtos, distribuição e comunicação estão mais acessíveis e replicáveis. Quando concor- rentes entregam soluções semelhantes, competir apenas por produto, preço ou conveniência tende a produzir uma dis- puta cara. É nesse ponto que empresas e OSCs podem se encontrar. A questão estratégica não é simplesmen- te como uma empresa pode apoiar uma organização social, nem como uma OSC pode conseguir mais um patrocinador. É outra: como transformar a capacidade de gerar impacto de uma OSC em ativo de negócio para uma empresa e, simulta- neamente, transformar a capacidade comercial de uma empresa em nova fonte de sustentabilidade para uma OSC? Essa mudança desloca a relação da lógica de financiamento para a lógica de cocriação de valor. As OSCs acumularam conhecimentos que dificilmente uma empresa con- segue construir internamente com a mesma profundidade: compreensão de problemas sociais complexos, relaciona- mento com comunidades, legitimidade, metodologias de transformação e expe- riência em territórios e causas específicas. Esses ativos têm valor. Uma mudança importante seria enxergá-los como

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