Lojista 428
54 Móbile Lojista 428 | Maio 2026 | Ano XLIV Imagem insuficiente. Ambientação fraca. Descrição genérica. Medidas incompletas. Nomenclatura mal construída. Variações confusas. Ficha técnica inconsistente. Informações diferentes entre canais. Falta de atributos relevantes. Isso parece detalhe dentro da operação. Para o consumidor, é a própria experiência de compra. No digital, informação ruim não apenas vende menos. Ela encarece a operação inteira. Reduz conversão, aumenta abandono, gera dúvidas no OPINIÃO Por: Philipe Cordeiro N o varejo digital de móveis, o conteúdo de produto deixou de ser uma etapa operacional e passou a ocupar um papel central na conversão, na eficiência da operação e na percepção de valor da marca. Durante muito tempo, o setor tratou o catálogo como obrigação: um processo técnico para colocar o item no ar. Código, medida, cor, ficha técnica, algumas imagens e a expectativa de que isso bastaria para vender. Só que o varejo digital amadureceu. E o catálogo, silenciosamente, mudou de função. Hoje, em boa parte das operações, ele deixou de ser apenas cadastro. Virou vendedor. No ambiente físico, a venda depende de contexto, argumento, confiança e apresentação. No digital, nada disso desapareceu. Apenas mudou de lugar. O que antes estava concentrado no vendedor agora aparece em imagem, título, ambientação, descrição, atributos, prazo e consistência da informação. E é justamente aí que boa parte do setor ainda erra. Muitos lojistas investem em mídia, ampliam mix, abrem canais, ajustam preço, melhoram prazo e cobram performance. Mas seguem apresentando produto como se estivessem só alimentando um sistema. Cria-se uma contradição: tenta- se acelerar a venda sem estruturar aquilo que, no digital, efetivamente vende. No varejo de móveis, isso pesa ainda mais. É uma categoria em que o consumidor compra com insegurança, expectativa e necessidade alta de validação. Ele não quer apenas a medida; quer entender proporção. Não quer só uma foto; quer perceber acabamento, volume, presença, escala e combinação com o ambiente. Não quer apenas preço; quer segurança para decidir algo que, muitas vezes, envolve valor agregado, prazo sensível e expectativa alta sobre o que vai chegar em casa. Quando essa informação falha, a conversão cai. E quase sempre o mercado procura o problema no lugar errado. A culpa recai sobre tráfego, concorrência, mídia, sazonalidade ou preço. Mas, em muitos casos, a primeira ruptura está na base: o produto está mal apresentado. Philipe Cordeiro é CEO da moveeis.com e atua há mais de 20 anos no setor moveleiro, conectando indústria, varejo físico e digital. Especialista em varejo, e-commerce e gestão estratégica, tem formação em Administração e Gestão Comercial, além de especialização em IA Generativa pelo MIT. Com visão integrada de mercado, tecnologia e comportamento do consumidor, liderou negócios relevantes e contribui para o fortalecimento do ecossistema moveleiro no Brasil. O catálogo digital virou vendedor SIGA @philipecordeiro | @moveeispontocom Contato: moveeis.com E a maioria das lojas ainda trata isso como cadastro
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