Lojista 428
9 Móbile Lojista 428 | Maio 2026 | Ano XLIV BALANÇO DE MERCADO Confiança sobe, mas duráveis recuam FGV IBRE aponta melhora na percepção do presente e reação da demanda no comércio, mas a intenção de compra de bens duráveis segue contida Por: Júlia Magalhães A bril trouxe um sinal moderadamente positivo para o varejo: a confiança do consumidor avançou pelo segundo mês consecutivo e a do comércio voltou a subir após duas quedas. O movimento, porém, não se traduz de forma linear em disposição para gastar com itens de maior valor. Para o mercado moveleiro, o recado é de melhora na percepção do presente, mas com a decisão de compra ainda condicionada por renda, juros e capacidade de parcelamento. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do FGV IBRE avançou 1,0 ponto em abril, para 89,1 pontos, maior nível desde dezembro de 2025 (mesmo patamar). Na média móvel trimestral, o indicador subiu 0,6 ponto, para 87,8 pontos. De acordo com a economista do FGV IBRE, Anna Carolina Gouveia, a segunda alta seguida da confiança do consumidor foi puxada principalmente pela melhora na percepção sobre o momento atual, com destaque para a avaliação das famílias de menor renda sobre sua situação financeira. Para ela, inflação mais baixa, mercado de trabalho robusto e o alívio pontual trazido pela isenção do imposto de renda ajudam a explicar esse movimento. A alta do ICC foi puxada pela leitura do presente. O Índice de Situação Atual (ISA) avançou 2,1 pontos, para 85,3 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) teve variação discreta, com alta de 0,2 ponto, para 92,3 pontos. Entre os componentes do ISA, o destaque foi o indicador de situação financeira atual da família, que subiu 3,9 pontos, para 76,0 pontos, maior nível desde fevereiro de 2020. Já no campo das expectativas, a situação financeira futura da família avançou 0,9 ponto, para 90,3 pontos. No recorte mais sensível ao varejo de móveis, o indicador de compras previstas de bens duráveis recuou 0,3 ponto, para 82,5 pontos. A estabilidade em patamar mais baixo reforça que a intenção de compra segue calibrada pelo orçamento – e tende a responder mais lentamente à melhora do humor captada nos índices. DEMANDA REAGE Do lado do varejo, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) subiu 1,6 ponto em abril, para 86,2 pontos. Entre expectativa e bolso, o consumidor avança na confiança, mas segue seletivo nas compras Envato Namédiamóvel trimestral, o índice recuou 1,7 ponto, para 86,0 pontos, sinalizando que a recuperação ainda não se consolidou no trimestre. Segundo a economista do FGV IBRE, Geórgia Veloso, a alta da confiança do comércio emabril foi sustentada pela reversão das avaliações sobre o momento atual, especialmente pela recuperação da demanda, que vinha se deteriorando nos últimosmeses. Ela observa, porém, que as perspectivas para a demanda futura seguem enfraquecidas, emumambiente aindamarcado por juros elevados e pressão inflacionária sobre o poder de compra. O avanço no mês refletiu a melhora na situação atual. O Índice de Situação Atual do Comércio (ISA- COM) subiu 3,2 pontos, para 88,0 pontos, com alta do indicador de volume de demanda atual (+5,6 pontos, para 89,2 pontos) e melhora moderada na avaliação da situação atual dos negócios (+0,8 ponto, para 87,1 pontos). As expectativas, por sua vez, ficaram estáveis: o Índice de Expectativas (IE-COM) manteve-se em 85,1 pontos, com movimentos opostos entre seus componentes.
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