Lojista 430
13 Móbile Lojista 430 | Julho 2026 | Ano XLIV da percepção mais positiva dos empresários sobre o ambiente de negócios, o fluxo de clientes e pedidos ainda não acompanhou esse otimismo. O Índice de Expectativas (IE-COM) avançou 0,7 ponto, para 85,9 pontos, com melhora em vendas previstas e na tendência dos negócios, o que indica algum alívio no horizonte, mas sem mudança de patamar. A perspectiva trimestral é ainda mais sóbria. Mesmo com a alta de junho, o ICOM recuou 2,6 pontos na comparação entre o segundo e o primeiro trimestre de 2026, com piora concentrada nas expectativas, que cederam 4,0 pontos. O ISA-COM também registrou queda no trimestre, marcando o sexto trimestre consecutivo de piora. “A oscilação trimestral da confiança do comércio reforça o cenário de dificuldade que o setor tem enfrentado em se consolidar em uma recuperação”, avalia Tobler. Para o varejo de móveis, a leitura é de que o ambiente não vai se resolver sozinho nos próximos meses, e a conversão segue dependendo de elementos práticos, como crédito acessível, parcelamento compatível com o orçamento e execução qualificada no ponto de venda. CONSUMIDOR ESTÁVEL, MAS PESSIMISTA SOBRE O FUTURO O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do FGV IBRE variou apenas 0,1 ponto negativo em junho, para 88,7 pontos, mantendo a quase estabilidade observada no mês anterior. Na média móvel trimestral, avançou 0,2 ponto, para 88,9 pontos. A economista do FGV IBRE, Anna Carolina Gouveia, aponta a tensão que explica esse equilíbrio frágil. “Se por um lado os indicadores de intenção de compra de duráveis e situação financeira futura sugerem um consumidor mais pessimista para os próximos meses, o indicador de situação financeira atual sugere uma melhora na percepção do orçamento do momento. A manutenção de um mercado de trabalho robusto e políticas de desafogamento das dívidas parecem estar influenciando positivamente na percepção atual, mas não são suficientes para reverter o aumento do pessimismo futuro.” Os dados desagregados deixam essa tensão ainda mais visível. O Índice de Situação Atual (ISA) avançou 0,9 ponto, alcançando 87,0 pontos, em sua terceira alta consecutiva, o maior nível desde outubro de 2014. O indicador de situação financeira atual da família subiu 2,3 pontos, para 79,0 pontos, maior patamar desde abril de 2015, acumulando ganho de 8,9 pontos ao longo de 2026. Do outro lado, o Índice de Expectativas (IE) caiu 0,9 ponto, para 90,4 pontos, pressionado pela queda de 3,0 pontos no indicador de compras previstas de bens duráveis, que recuou para 80,0 pontos, figurando no menor nível desde outubro de 2025. O indicador de situação financeira futura da família também cedeu 1,7 ponto, para 87,7 pontos. O recorte por faixa de renda revela uma divisão relevante: consumidores com renda até R$ 4,8 mil apresentaram alta na confiança em junho, enquanto aqueles que recebem acima desse patamar registraram queda. A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), traz um contraponto relevante a esse cenário. O índice avançou 0,1% em junho, com ajuste sazonal, chegando a 105,5 pontos, o maior nível desde março de 2015. O destaque do mês ficou por conta do componente Momento para Compra de Bens Duráveis, que saltou 1,2% no mês e 20,3% na comparação anual, puxado pela deflação observada nesse grupo de produtos. Em maio, bens duráveis registraram queda de preços de 0,08%, contra alta de 0,58% do IPCA geral. De acordo com o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a queda de preços abriu uma brecha que o público soube aproveitar. “O consumidor percebeu uma janela de oportunidade com a deflação de alguns bens duráveis observada ao longo dos meses, chegando a um patamar mais confortável do que os 4,72% do IPCA geral.” Por outro lado, o presidente do Sistema CNC-Sesc- Envato Mesmo com sinais de melhora na confiança do comércio, a conversão de vendas no varejo segue dependendo de crédito acessível e atendimento qualificado
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