Lojista 430

14 Móbile Lojista 430 | Julho 2026 | Ano XLIV Senac, José Roberto Tadros, pondera que a cautela ainda predomina. “O trabalhador brasileiro reconhece a força do mercado de trabalho no presente, mas a deterioração das expectativas futuras reflete um receio com as viradas de cenário no médio e longo prazo.” Esse dado de bens duráveis é o sinal mais direto que o lojista de móveis tem disponível neste mês, mostrando que o preço favorável já está sendo percebido e aproveitado, mesmo em meio à cautela geral com o futuro. ECONOMIA CRESCE, MAS EM RITMO CONTIDO Divulgado em junho, o Monitor do PIB-FGV aponta crescimento de 0,1% na atividade econômica em abril, na série com ajuste sazonal. Na comparação interanual, a economia cresceu 1,8% no trimestre móvel findo no mês. Segundo a coordenadora da pesquisa, Juliana Trece, o resultado “indica certa resiliência, em meio ao cenário de juros elevado e o aumento do preço do barril do petróleo, como uma das consequências da guerra no Oriente Médio.” O consumo das famílias cresceu 2,6% no mesmo trimestre, o maior patamar desde o início de 2025, impulsionado pelo consumo de serviços. Para o varejo de móveis, o dado confirma que a demanda existe, mas segue seletiva e condicionada ao orçamento disponível. Para o segundo semestre, o quadro geral é de crescimento moderado. O ambiente macroeconômico deve permanecer desafiador, com Selic projetada em torno de 12,25% ao fim do ano e crédito ainda restritivo, mas a trajetória de queda dos juros, os dados robustos de mercado de trabalho e a melhora na percepção da situação financeira atual abrem espaço para vendas. Para o lojista, isso significa calibrar o mix com produtos de bom giro e argumentação de valor clara, reforçar as condições de parcelamento e manter a exposição do showroom alinhada a um consumidor que, mesmo presente, decide com mais cautela. O PESO DAS DÍVIDAS NA DECISÃO DE COMPRA O endividamento das famílias brasileiras segue batendo recordes e ajuda a explicar por que a conversão no varejo continua difícil. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do BALANÇO DE MERCADO Consumidor (Peic), divulgada em junho pela CNC, mostra que o percentual de famílias com dívidas a vencer alcançou 81,6% em maio, renovando o maior patamar da série histórica, iniciada em 2010. A parcela que se considera muito endividada também avançou, chegando a 17,0%, o maior índice desde junho de 2024. A inadimplência seguiu a mesma trajetória, subindo para 29,9% em maio, ante 29,7% em abril. Apesar disso, alguns sinais indicam um ambiente de crédito relativamente mais administrável. O tempo médio de atraso recuou para 65,0 dias, e o percentual de famílias com mais da metade da renda comprometida com dívidas caiu para 18,7%. O comprometimento médio da renda com dívidas, de modo geral, retraiu para 29,3% em maio, o menor patamar desde 2019. O cartão de crédito segue como a modalidade mais usada pelas famílias, presente em 84,6% dos casos, justamente a linha de crédito com maior taxa de juros: 428,3% ao ano no rotativo. O recorte por faixa de renda interessa de perto ao lojista que trabalha com públicos distintos. O avanço do endividamento foi mais intenso entre famílias com renda acima de dez salários- mínimos, mas o crescimento da inadimplência se concentrou nas famílias de menor renda, que também foram as únicas a registrar piora na capacidade de quitar contas em atraso na comparação anual. Na prática, o público de maior renda consegue administrar dívidas crescentes sem comprometer sua capacidade de pagamento, enquanto o de menor renda segue mais exposto. Para o varejo, isso reforça a importância de opções de parcelamento adequadas a cada perfil de cliente, e de cautela redobrada na concessão de crédito para o público mais vulnerável a esse cenário. Envato A deflação em bens duráveis abriu uma janela de oportunidade percebida pelo consumidor, segundo a CNC

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