Lojista 431
11 Móbile Lojista 431 | Agosto 2026 | Ano XLIV VAREJO REAL FECHA O PIOR SEMESTRE DESDE A PANDEMIA Enquanto a confiança oscila, o faturamento efetivo do comércio já mostra o resultado dessa cautela. O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) recuou 2,8% em junho ante o mesmo mês do ano passado, descontada a inflação, o pior desempenho para o período desde a pandemia e a segunda queda real consecutiva. Em termos nominais, houve expansão de 3%, com alta de 1% no comércio físico e de 9,2% no comércio eletrônico. Entre os macrossetores acompanhados pela Cielo, bens duráveis e semiduráveis, categoria que inclui móveis, recuaram 3,4% em termos reais, atrás apenas da queda de 9,1% em serviços. “Em síntese, os números do semestre reforçam um quadro de enfraquecimento real do consumo, com perda de tração frente a qualquer semestre desde a pandemia. Isso mostra que a renda do brasileiro está pressionada pela inflação e os efeitos são sentidos pelo varejo”, diz o vice-presidente de tecnologia e negócios da Cielo, Carlos Alves. Todas as regiões do País registraram queda no mês: o Sudeste teve o pior resultado, com recuo de 4,5%, seguido por Centro- Oeste (-2,6%), Nordeste (-1,4%), Sul (-1,0%) e Norte (-0,3%). ENDIVIDAMENTO DÁ SINAL DE TRÉGUA Depois de cinco meses seguidos de alta, o percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer ficou estável em 81,6% em junho, o mesmo nível de maio, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O cartão de crédito segue como a modalidade mais usada pelas famílias, presente em 84,7% dos casos, seguido por carnê de loja, com 16,0%, e crédito pessoal, com 13,2%. A estabilidade no indicador geral esconde movimentos distintos por faixa de renda: entre famílias com renda de três a cinco salários mínimos, o endividamento avançou 0,6 ponto percentual, enquanto entre as que recebem de cinco a dez salários mínimos houve recuo de 1,3 ponto. Já a percepção subjetiva de endividamento piorou, com a fatia que se considera muito endividada avançando de 17,0% para 17,2%, mesmo com a estabilidade do indicador objetivo. Do lado oposto, a fatia que se diz pouco endividada também cresceu, de 33,3% para 34,2%, sinal de que o aperto financeiro segue distribuído de forma desigual entre as famílias. VAREJO OFICIAL AVANÇA DEVAGAR, MAS MÓVEIS GANHAM TRAÇÃO O dado mais recente e oficial sobre o comportamento do varejo, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra maio como ummês de estabilidade: o volume de vendas do comércio varejista variou 0,1% ante abril, na série livre de influências sazonais, depois de uma queda de 1,6% em abril. Na comparação com maio do ano passado, a alta foi de 0,4%; no acumulado do ano, o varejo soma 1,7%. Entre os poucos setores em alta no mês, ‘Móveis e Eletrodomésticos’ se destacou, com avanço de 2,7%, resultado que, segundo o próprio instituto, pode ter sido beneficiado pela Copa do Mundo, com a compra de televisores puxando o segmento. É um lembrete de que, para o consumidor, ‘eletro’ e ‘móvel’ nem sempre andam separados na hora da decisão de compra, e de que datas e eventos fora do calendário tradicional do setor também movem o showroom. Enquanto os dados oficiais de julho ainda não fecharam, projeções econométricas do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) e da Fia Business School, a partir de dados dessazonalizados do IBGE, apontam alta de 4,92% no varejo ampliado em julho ante o mesmo mês de 2025, com avanço de 0,95% sobre junho. Já o varejo restrito deve crescer 0,96% na comparação anual, com leve recuo de 0,22% ante junho. Entre os segmentos, a expansão projetada para julho é puxada pelos bens de maior valor unitário: veículos devem avançar 5,14% na comparação anual, equipamentos de informática lideram com alta de 7,66%, e móveis e eletrodomésticos aparecem na sequência, com projeção de 4,56%. “Observa- se uma economia que se expande pelos extremos, bens duráveis e veículos, enquanto o consumo cotidiano avança em ritmo mais lento”, avalia o presidente do Ibevar e professor da Fia Business School, Claudio Felisoni. Segundo ele, essa assimetria deve persistir ao longo do terceiro trimestre. INDÚSTRIA MIRA CRESCIMENTO MODERADO Para o ano fechado, o retrato do setor é de avanço moderado. Estudo do IEMI – Inteligência de Mercado, realizado em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), projeta alta de 0,5% na produção em volume e de 2,8% em valores nominais para a indústria de móveis e colchões em 2026. O varejo do setor deve crescer 1,5% em volume de vendas e 4,5% em valores no mesmo período. O setor moveleiro responde por 1,7% do consumo de bens no País, na nona posição do ranking nacional, atrás de segmentos como alimentação no domicílio e vestuário. Ainda assim, mantém relevância estratégica: são 22,3 mil indústrias ativas, responsáveis por cerca de 282,7 mil empregos diretos em todo o território nacional. Emprego, renda e programas de estímulo ao consumo aparecem entre os fatores que sustentam essa projeção. Do outro lado, a inflação persistente, os juros elevados, o endividamento das famílias e a própria Copa do Mundo, realizada em julho e apontada pelo estudo como fator que tradicionalmente reduz o fluxo do varejo físico, entram na conta como freios ao avanço do setor.
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