Lojista 431
12 Móbile Lojista 431 | Agosto 2026 | Ano XLIV O contraste com o dado de maio do IBGE, no qual ‘Móveis e Eletrodomésticos’ figuravam entre os poucos setores em alta, ilustra bem o momento: o consumidor comprou televisor para assistir ao Mundial, mas a loja de móveis sentiu o esvaziamento típico do período. APOSTA NO SEGUNDO SEMESTRE Se o primeiro semestre foi de resultados mistos, o varejo entra na segunda metade do ano com expectativa de melhora. Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), com 416 empresas de diferentes portes e regiões, mostra que 70,2% dos varejistas mineiros esperam vender mais entre julho e dezembro do que venderam no primeiro semestre, percentual um pouco mais moderado que os 74,7% registrados na mesma pesquisa em 2025. No balanço do semestre que passou, 60,6% das empresas afirmaram ter alcançado as expectativas de vendas, mas apenas 24,8% registraram alta na comparação com o mesmo período de 2025 – retrato de um comércio que manteve as contas em dia, ainda que o ganho real tenha ficado concentrado em parte dos negócios. “Historicamente, o segundo semestre concentra fatores que ampliam a circulação de recursos na economia, como o pagamento do 13º salário, a restituição do imposto de renda e também a redução de despesas típicas do início do ano. Isso aumenta a capacidade de consumo das famílias e favorece de maneira direta o comércio varejista”, explica a economista da Fecomércio- MG, Gabriela Martins. No primeiro semestre, a cautela do consumidor foi apontada por 31,7% dos entrevistados como o principal fator que limitou as vendas, à frente do endividamento e da inflação. NO DETALHE, A VENDA SE DECIDE Postos lado a lado, os indicadores de julho desenham um caminho conhecido para quem vende móveis. O crescimento nominal do faturamento, aquele que aparece no caixa, ainda convive com perda real de poder de compra, e o comércio eletrônico segue crescendo em ritmo bemmais acelerado que a loja física, mesmo em categorias que dependem de ambientação e experimentação. O crédito ao consumidor continua sendo o fator que decide o tíquete mais alto: comunicar com clareza as condições de parcelamento tende a pesar tanto quanto o preço do produto em si. Ainda assim, bens de maior valor seguem vendendo quando o vendedor consegue deixar claro, na cabeça do consumidor, por que aquele investimento vale a pena – o que depende menos do produto em si e mais de um atendimento consultivo capaz de traduzir preço em benefício e valor em experiência. Nesse cenário, a expectativa do lojista para o segundo semestre é de melhora. A confiança pode variar mês a mês, mas a decisão de compra, cada vez mais, é tomada no detalhe – na condição de pagamento, na composição do ambiente e na clareza do que aquele produto resolve para quem está do outro lado do balcão. BALANÇO DE MERCADO Mesmo em meio à cautela, bens de maior valor seguem vendendo quando o vendedor deixa claro por que valem o investimento Magnific
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