Lojista 433
13 Móbile Lojista 433 | Out/Nov 2026 | Ano XLIV redução consecutiva. Na média móvel trimestral, o indicador também recuou 1,2 ponto, registrando a segunda queda seguida. A piora atingiu os quatro setores avaliados pela FGV e apareceu tanto na percepção sobre o momento presente quanto nas expectativas. O Índice da Situação Atual Empresarial recuou 1,1 ponto, para 90,8 pontos, menor nível desde fevereiro de 2022. Já o Índice de Expectativas Empresariais caiu 1,2 ponto, chegando a 87,9 pontos. Entre os componentes ligados ao futuro, o grau de otimismo com a demanda para os três meses seguintes diminuiu 0,7 ponto, enquanto a avaliação sobre a evolução dos negócios nos seis meses posteriores caiu 1,7 ponto. O ICE acumulou recuos em cinco dos últimos sete meses, movimento que, segundo a FGV, indica aumento do pessimismo empresarial. Para o pesquisador do FGV IBRE, Aloisio Campelo Jr., o desempenho de setembro está relacionado à combinação entre demanda mais fraca, acúmulo de estoques na indústria e elevado comprometimento da renda das famílias. As expectativas de emprego permanecem positivas, mas mostram perda de intensidade nas contratações. “Os resultados indicam avanço, entre os setores, das expectativas de continuidade da tendência de desaceleração da atividade observada neste trimestre”, avalia. COMÉRCIO SENTE DEMANDA MAIS FRACA Entre os indicadores de maior interesse para o varejo, a confiança do comércio apresentou a queda mais expressiva. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) recuou 2,9 pontos em setembro e chegou a 81,3 pontos, menor patamar desde março de 2021. Na média móvel trimestral, houve redução de 1,2 ponto, para 83,7 pontos. Apesar da queda do índice agregado, o resultado não foi uniforme entre os seis segmentos pesquisados pela FGV: três apresentaram avanço e três recuo no mês. A avaliação sobre a situação atual, porém, teve peso importante no resultado geral. O Índice de Situação Atual do Comércio caiu 5,2 pontos, para 80,3, também no menor nível desde março de 2021. Dentro desse indicador, a avaliação sobre a situação atual dos negócios recuou 7,9 pontos, enquanto a percepção sobre o volume de demanda diminuiu 2,3 pontos e atingiu o menor patamar desde junho de 2020. As expectativas tiveram queda mais moderada. O Índice de Expectativas do Comércio recuou 0,5 ponto, para 83,3. O componente que mede a tendência dos negócios diminuiu 0,9 ponto, e o indicador de vendas previstas ficou praticamente estável, com baixa de 0,1 ponto. Segundo o superintendente adjunto do FGV IBRE, Rodolpho Tobler, os resultados sugerem enfraquecimento da demanda no encerramento do terceiro trimestre. O pesquisador aponta que, apesar do mercado de trabalho aquecido, o comprometimento da renda, o endividamento e a inadimplência continuam restringindo a capacidade de ampliação dos gastos das famílias. Ele também observa que as condições macroeconômicas permanecem restritivas, mesmo diante da trajetória de queda dos juros. O comportamento dos consumidores reforça essa leitura. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 0,5 ponto em setembro, para 84,2 pontos, quinto recuo consecutivo e menor resultado desde novembro de 2022. No período, o indicador acumulou perda de 4,9 pontos. Diferentemente do comércio, a piora da confiança do consumidor veio integralmente das expectativas. O Índice de Expectativas caiu 0,9 ponto, para 85,2, enquanto a avaliação sobre a situação atual avançou 0,2 ponto, para 84 pontos. A percepção sobre a situação financeira futura das famílias apresentou melhora, especialmente entre consumidores de renda mais baixa, mas não foi suficiente para interromper a tendência negativa do índice geral. Para o varejo de móveis, chama atenção o indicador relacionado às compras previstas de bens duráveis. Em setembro, ele recuou 2,4 pontos e chegou a 72,3 pontos. Esse tipo de compra é particularmente sensível à confiança, às condições de crédito e à disponibilidade de renda, já que costuma envolver valores maiores e decisões que podem ser adiadas. A FGV aponta que, nos próximos meses, endividamento e inadimplência permanecem entre os fatores que dificultam uma recuperação mais consistente da confiança do consumidor. O enfraquecimento também aparece nos dados de vendas. O IGet, indicador desenvolvido pelo Santander em parceria com a Getnet, apontou queda de 1,6% no varejo em setembro na comparação com agosto. Entre os segmentos do varejo restrito, móveis e eletrodomésticos registraram a maior retração mensal, de 9,6%. O resultado reforça a perda de fôlego em segmentos sensíveis ao crédito e à confiança do consumidor. A avaliação sobre a economia local futura também piorou, com queda de 1,3 ponto, enquanto a expectativa em relação à situação financeira da família avançou 1 ponto após quatro meses de baixa. Nos indicadores relativos ao momento presente, houve pequenas altas tanto na percepção da economia local quanto na situação financeira atual. O resultado indica, portanto, uma diferença entre percepção presente e expectativa. O consumidor não avaliou setembro de forma mais negativa em todos os aspectos, mas demonstroumaior cautela quando questionado sobre os próximos meses e sobre a intenção de adquirir bens duráveis.
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