Lojista 433
14 Móbile Lojista 433 | Out/Nov 2026 | Ano XLIV No mercado de trabalho, porém, os números continuam favoráveis. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 29 de setembro, mostrou taxa de desocupação de 5,3% no trimestre encerrado em agosto. O percentual ficou 0,3 ponto percentual abaixo do trimestre móvel anterior. Esse desempenho ajuda a explicar por que emprego aparece como contraponto nas próprias sondagens da FGV. A confiança empresarial piorou, mas as expectativas ainda sinalizam aumento do emprego, embora em ritmo menos intenso. No comércio, o mercado de trabalho aquecido também é citado como um elemento favorável, ainda que insuficiente para neutralizar as restrições financeiras enfrentadas pelas famílias. Outra variável importante para o consumo voltou a pressionar em setembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) avançou 0,70%, após queda de 0,40% em agosto. No acumulado em 12 meses, a prévia da inflação ficou em 4,47%, e, no ano, atingiu 3,82%. A oscilação dos preços acrescenta mais um componente ao cenário acompanhado pelo varejo. Mesmo com emprego em patamar elevado, o poder de compra depende da evolução da renda frente aos gastos cotidianos, especialmente quando parte do orçamento já está comprometida. Essa combinação aparece nas sondagens de confiança como um dos limites para a expansão do consumo nos próximos meses. DIGITAL AVANÇA EM RITMO MAIOR Enquanto os indicadores de confiança apontam maior cautela, o comércio eletrônico mantém trajetória de crescimento acima do varejo total. Estudo da Cielo, com base no Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), mostra que o e-commerce avançou 5,3% em termos nominais no acumulado de janeiro a junho de 2026, ante 2% do varejo total. A diferença de ritmo ocorre pelo quarto ano consecutivo. Entre os consumidores que realizaram a primeira compra on-line neste ano, 42% já voltaram ao canal para uma segunda compra. O levantamento também mostra movimento entre canais: 5% dos consumidores que compraram exclusivamente no varejo físico em 2025 já realizaram compras on-line em 2026. O dado reforça a importância de acompanhar não apenas o volume de consumo, mas também a forma como ele se distribui entre os canais. Emmeio a esse cenário de sinais mistos, o Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), também calculado pela FGV IBRE, recuou 0,9 ponto, para 110,8 pontos. Na média móvel trimestral, houve redução de 0,2 ponto, para 110,6. Amelhora veio exclusivamente do componente de expectativas, refletindo menor dispersão entre as projeções dos especialistas de mercado, principalmente para inflação. Já o componente relacionado à mídia permaneceu estável em nível elevado. Para o economista do FGV IBRE, Stefano Pacini, a redução registrada no mês pode ser pontual diante do ambiente econômico e político e da indefinição eleitoral. A diferença entre os indicadores ajuda a dimensionar o momento. A incerteza medida pela FGV diminuiu ligeiramente, mas isso ainda não se traduziu em melhora das expectativas de empresários, comerciantes e consumidores. Ao contrário, setembro encerrou o trimestre com confiança mais baixa nos três grupos. Para o varejo, os dados apontam um fim de ano em que sinais favoráveis e restrições convivem. O emprego continua sustentado e a incerteza econômica teve pequena redução, mas a intenção de compra de bens duráveis perdeu força e o comércio percebeu enfraquecimento da demanda atual. Ao mesmo tempo, a inflação voltou a acelerar na prévia de setembro. Nesse ambiente, o desempenho dos próximos meses dependerá de como essas variáveis evoluirão simultaneamente. Os indicadores de setembro não mostram retração generalizada da atividade, mas revelam aumento da cautela na entrada do período mais importante do calendário comercial. BALANÇO DE MERCADO OpenAI A compra de móveis passa pelo orçamento das famílias, pressionado pelo endividamento e pelo comprometimento da renda
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