Lojista 433

36 Móbile Lojista 433 | Out/Nov 2026 | Ano XLIV ACESSIBILIDADE | CONSUMIDOR SÊNIOR O cliente que a loja não vê Consumidores com 60 anos ou mais já movimentam até R$ 2 trilhões por ano, mas barreiras físicas, digitais e financeiras podem limitar sua autonomia na hora de comprar Por: Júlia Magalhães P ara um consumidor de 80 anos, comprar um sofá pode exigir muito mais do que ter dinheiro para pagá- lo. É preciso conseguir chegar à loja, circular pelo showroom, sentar, levantar, experimentar o produto e concluir o pagamento. Quando parte dessa jornada passa pelo celular, por aplicativos, cadastros ou autenticações digitais, surgem outras barreiras. O problema não está na falta de interesse desse consumidor, mas em que medida o varejo, os serviços financeiros e até o próprio produto estão preparados para preservar sua autonomia. Essa questão tende a ganhar peso rapidamente. Em 2023, as pessoas com 60 anos ou mais representavam 15,6% da população brasileira. Em 2070, serão 37,8%, segundo as Projeções da População do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revisão 2024. Antes disso, o País atingirá seu pico populacional, com 220,4 milhões de habitantes em 2041, e começará a encolher. Em 2070, serão 199,2 milhões de brasileiros. O mercado consumidor será menor, mais velho e exigirá do varejo uma adaptação que começa no acesso à loja e chega à forma de pagar. O peso econômico desse público já é significativo. Segundo o estudo ‘Geração Prateada’, do Sindilojas Porto Alegre, os consumidores com 60 anos ou mais movimentam entre R$ 1,8 trilhão e R$ 2 trilhões por ano, perto de 20% do consumo privado nacional. A projeção é que essa participação chegue a 35% até 2044. Cerca de 63% das pessoas na casa dos 60 anos são as principais provedoras financeiras de seus domicílios e nove em cada dez ajudam parentes financeiramente de forma direta. Outro levantamento ajuda a desfazer a associação automática entre envelhecimento e dependência. Na 7ª edição do estudo ‘Hábitos de Compra do Consumidor 60+’, da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), 83% dos entrevistados afirmaram ser responsáveis pelas próprias finanças e decisões de compra. Garantir que esse consumidor continue encontrando condições para decidir e comprar por conta própria importa mais do que decidir por ele. ESCADA, DEGRAU, CORREDOR ESTREITO Em muitas lojas de móveis, a exposição ocupa áreas amplas e pode estar distribuída por diferentes ambientes, desníveis ou pavimentos. Para o consumidor com dificuldade de locomoção, a configuração do espaço interfere diretamente na experiência. Segundo a SBVC, 73% das pessoas com 60 anos ou mais afirmam que a facilidade de acesso à loja influencia muito sua decisão de compra, enquanto 44% citam escadas e degraus como um fator relevante. Entre os entrevistados com 80 anos ou mais, 20% relatam alguma dificuldade de locomoção. No varejo moveleiro, o dado ganha importância porque a experiência física continua pesando na escolha de vários produtos. Dimensões ajudam, mas nem sempre substituem sentar em um sofá, avaliar a altura de uma cadeira, tocar o revestimento ou experimentar a firmeza de um colchão. Quando a mobilidade diminui, conseguir chegar ao produto e testá-lo passa a fazer parte da própria possibilidade de escolha. O e-commerce amplia o acesso, mas não elimina as barreiras. Em 2025, 90,5% No varejo de móveis, acessibilidade passa pela circulação no showroom, pela experimentação dos produtos e também pelas etapas digitais e de pagamento

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