Lojista 433
39 Móbile Lojista 433 | Out/Nov 2026 | Ano XLIV profundidade dos assentos, estabilidade, facilidade para abrir portas e gavetas e esforço necessário para sentar e levantar são atributos que podem adquirir importância diferente dependendo de quem utilizará o móvel. O atendimento também faz parte dessa adaptação. Considerar as necessidades de um consumidor mais velho não exige presumir o que ele consegue ou não consegue fazer com base na idade. Exige permitir que ele explique como utilizará o produto e preservar sua participação na escolha. Uma pessoa com 80 anos pode ter plena autonomia financeira e digital; outra, na mesma idade, pode apresentar limitações de mobilidade ou precisar de mais apoio em alguma etapa. Tratar ambas da mesma maneira apenas porque pertencem à mesma faixa etária seria trocar um problema de acessibilidade por outro, o etarismo. AUTONOMIA DENTRO DE CASA A transformação demográfica brasileira ocorre ao mesmo tempo em que muda a composição dos domicílios. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 13,6 milhões de pessoas moravam sozinhas naquele ano, e as unidades domésticas unipessoais representavam 19,1% do total. Em 2000, eram 4,1 milhões de pessoas nessa condição. Entre aqueles que viviam sozinhos em 2022, 41,8% tinham 60 anos ou mais. A configuração das famílias também se alterou. Entre 2010 e 2022, a participação das unidades domésticas formadas por casais sem filhos passou de 16,1% para 20,2%, enquanto a parcela composta por responsável, cônjuge e filhos de ambos caiu de 41,3% para 30,7%. Quem mora sozinho pode perfeitamente ter família ou rede de apoio por perto. Ainda assim, fica menos razoável presumir que sempre haverá alguém disponível para intermediar uma compra, acessar um aplicativo ou resolver uma etapa financeira. O consumidor de 80 anos de amanhã terá uma trajetória tecnológica diferente daquela de quem tem 80 hoje. Isso não elimina o problema. Tecnologias continuarão mudando, enquanto o envelhecimento pode trazer alterações de visão, mobilidade, força ou destreza em diferentes graus. Preparar a jornada de compra de uma população mais velha é garantir caminhos que continuem acessíveis à medida que capacidades e circunstâncias mudam – não desenhar soluções apenas para quem “não sabe usar tecnologia”. A longevidade financeira costuma ser discutida a partir de uma pergunta essencial: haverá renda suficiente para viver mais? O envelhecimento do País acrescenta uma segunda pergunta a essa discussão – será possível usar essa renda com autonomia? No varejo de móveis, a resposta passa por elementos que vão do acesso ao showroom e da possibilidade de experimentar o produto aos meios de pagamento, ao crédito e às características do próprio móvel. O Brasil vai concentrar uma fatia maior de consumidores idosos justamente quando sua população começar a encolher. Muitos deles administram as próprias finanças, sustentam seus domicílios e ajudam familiares. Preparar-se para esse cenário não significa tratar a velhice como limitação nem criar um consumidor à parte. Significa garantir que envelhecer não transforme quem escolhe e paga pelo produto em espectador da própria compra. Envato 83% dos consumidores com 60 anos ou mais afirmam ser responsáveis pelas próprias finanças e decisões de compra, segundo a SBVC
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