Lojista 433
38 Móbile Lojista 433 | Out/Nov 2026 | Ano XLIV automaticamente à população idosa. Ainda assim, mostra a velocidade com que pagamentos e serviços financeiros estão migrando para meios digitais. Aplicativos bancários, senhas e autenticações biométricas passaram a fazer parte de operações financeiras cotidianas. Para grande parte dos consumidores, esses recursos simplificam processos. A dificuldade surge quando uma etapa indispensável oferece apenas uma forma de acesso que determinada pessoa não consegue utilizar. O reconhecimento facial ilustra esse desafio. Estudos do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST, na sigla em inglês) identificaram diferenças de desempenho relacionadas à idade em sistemas de reconhecimento facial. Em uma ampla avaliação de algoritmos de diferentes desenvolvedores, o instituto encontrou taxas mais elevadas de falsos positivos entre idosos e crianças do que entre adultos de meia-idade em muitos dos sistemas analisados. Os resultados, porém, variam conforme o algoritmo, a aplicação, o tipo de erro e a qualidade das imagens, o que impede atribuir à tecnologia uma única taxa de falha para determinada faixa etária. Essa diferença deixa de ser apenas uma questão técnica quando a autenticação se torna condição para acessar um serviço financeiro. Um exemplo recente ocorreu no Brasil. Em 24 de agosto de 2026, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou uma alternativa para beneficiários que não possuem biometria facial cadastrada nas bases governamentais. Nesses casos, passou a ser possível utilizar a validação de dados bancários para acessar o Meu INSS e autorizar operações de crédito consignado. A biometria continua como primeira opção, mas, quando não é localizada, existe outra possibilidade de autenticação. A mudança é relevante porque mostra, na prática, a relação entre tecnologia e acesso ao crédito. O impedimento não estava necessariamente na renda ou na decisão de contratar, mas na possibilidade de cumprir uma etapa tecnológica exigida para chegar à operação. Ao criar uma alternativa, o sistema reconhece que segurança e inclusão precisam conviver. Para o varejo de móveis, em que produtos de maior valor podem envolver parcelamento e diferentes modalidades de pagamento, a discussão tem relação direta com a jornada de compra. Um consumidor pode ter renda, administrar as próprias finanças e saber exatamente qual móvel pretende adquirir, mas encontrar dificuldade na etapa necessária para acessar o dinheiro, autorizar uma transação ou concluir o pagamento. O MÓVEL TAMBÉM ENTRA NA EQUAÇÃO A autonomia não termina quando a compra é aprovada. O próprio produto pode facilitar ou dificultar o cotidiano conforme mudam mobilidade, força, equilíbrio e necessidades de uso. Características como essas ganham pesos diferentes ao longo da vida – o que está longe de exigir um mobiliário homogêneo para pessoas idosas, grupo tão diverso quanto qualquer outro. A Castor publicou, em julho de 2026, um guia sobre a escolha de colchões para idosos. Entre os pontos abordados estão suporte para a coluna, alívio de pressão nas articulações, facilidade de movimentação durante o sono e regulação de temperatura. O material destaca ainda uma questão objetiva: a altura total formada pela base e pelo colchão deve permitir que, sentado na lateral da cama, o usuário consiga apoiar os pés no chão com naturalidade, facilitando o movimento de levantar e reduzindo o risco de quedas. A própria orientação da fabricante é que, sempre que possível, o consumidor participe da escolha e experimente o colchão, já que conforto e firmeza são percepções individuais. Para o varejo, o princípio pode ser estendido a outros produtos. Altura e ACESSIBILIDADE | CONSUMIDOR SÊNIOR Criação Revista Móbile
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