Black Friday começa antes de novembro para o e-commerce

Com jornada média de 35 dias, a Black Friday exige preparação antecipada de preços, estoques, faturamento e canais de venda

Publicado em 4 de setembro de 2026 | 08:26 |Por: Julia Magalhães

A Black Friday começa bem antes da última sexta-feira de novembro para quem vende pela internet. Com consumidores acompanhando preços e comparando ofertas durante semanas, setembro ganha importância para testar estratégias comerciais, estoques e processos antes do aumento da demanda.

Dados apresentados pela Microsoft indicam que os consumidores levam, em média, 35 dias para concluir a jornada de compra. Nesse período, realizam cerca de 49 pesquisas antes da conversão. Além disso, 55% das conversões on-line de novembro têm origem em buscas iniciadas ainda em outubro.

Esse comportamento amplia o período de disputa pela atenção do consumidor e exige que os sellers antecipem decisões que antes poderiam ficar concentradas nas semanas próximas à data.

“Na prática, a Black Friday deixou de caber em uma sexta-feira. O consumidor está mais criterioso: acompanha preços, compara ofertas ao longo de semanas, pesquisa avaliação e chega a novembro com uma ideia muito mais clara do que pretende comprar e de quanto está disposto a pagar”, explica o CEO da Magis5, Claudio Dias.

A comparação de preços tem peso nesse processo. Em pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Opinion Box em 2025, seis em cada dez consumidores afirmaram pesquisar e comparar valores antes de aproveitar as ofertas da Black Friday. O levantamento ouviu 1,2 mil pessoas no País.

Preparação antecipada

Para os sellers, o comportamento do consumidor faz com que a preparação comercial avance para os meses anteriores à Black Friday. A partir de setembro, o período pode ser usado para definir preços, selecionar produtos, estruturar campanhas e avaliar o funcionamento da operação.

“Quem começa a se preparar cedo ganha tempo para testar, corrigir e otimizar a operação. Quando o volume de pedidos aumenta, uma falha que parecia pequena pode afetar centenas ou milhares de vendas”, explica Dias.

A expectativa apresentada no levantamento é que a Black Friday movimente cerca de R$ 14,4 bilhões no comércio eletrônico brasileiro em 2026. Diante desse volume, a preparação envolve tanto as estratégias de venda quanto a capacidade de atender ao crescimento dos pedidos.

Estoque, faturamento, expedição e integração dos canais estão entre os processos que precisam ser dimensionados para o período. Ao mesmo tempo, preço e visibilidade dos produtos começam a ser trabalhados antes da chegada de novembro.

“Quem trabalha com antecedência a visibilidade dos produtos, constrói reputação e mantém uma estratégia consistente de preços chega ao período mais competitivo do ano com mais força para disputar a atenção do consumidor nos marketplaces e buscadores”, diz o executivo.

Black Friday operacional

Depois da conversão, a capacidade operacional passa a determinar parte da experiência de compra. Entre os gargalos apontados por Dias estão a falta de sincronização dos estoques entre canais, a lentidão na emissão de notas fiscais e etiquetas de transporte e as falhas na expedição.

“Em uma operação com milhares de pedidos concentrados em um curto intervalo, pequenos problemas podem ganhar escala rapidamente”, enfatiza o CEO. Um dos riscos ocorre quando o mesmo produto é vendido simultaneamente em diferentes marketplaces sem que o estoque seja atualizado de forma imediata. Nesse caso, a empresa pode concluir uma venda sem ter a mercadoria disponível.

Problemas de faturamento e separação também podem resultar em atrasos, cancelamentos ou envio de itens incorretos. Por isso, processos adequados ao volume habitual de vendas nem sempre respondem da mesma forma durante os picos de demanda.

“Processos que funcionam em uma operação de cem pedidos podem não funcionar quando o volume chega a mil. Na Black Friday, o desafio é aumentar a capacidade da operação sem multiplicar a estrutura na mesma proporção”, afirma o CEO da Magis5.

Integração dos canais

Nesse cenário, três frentes ganham importância para os sellers: a integração dos diferentes canais de venda, a automação do faturamento e da emissão fiscal e a sincronização dos estoques.

A centralização das informações pode reduzir falhas entre marketplaces e outros canais. Já a automação busca dar vazão ao crescimento do volume de pedidos, enquanto a atualização dos estoques diminui o risco de vendas de produtos indisponíveis.

Assim, antecipar a preparação permite identificar gargalos em condições de demanda mais controladas. Os testes realizados antes do pico também dão às empresas mais tempo para ajustar processos que envolvem desde a venda até a expedição.

“Chegar à Black Friday preparado significa conseguir absorver o aumento dos pedidos sem transformar o crescimento das vendas em um problema operacional. A tecnologia precisa ajudar o seller a ganhar escala mantendo controle sobre estoque, faturamento e expedição”, conclui Dias.

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