Varejo e Indústria: os impactos do Covid-19 na economia

Primeira reportagem de série especial mostra os impactos da pandemia de Covid-19 na economia mundial e explica porque o dólar está cada vez mais caro

Publicado em 19 de março de 2020 | 18:16 |Por: Everton Lima

Um relatório divulgado nesta semana pelo Google, com dados coletados pelo Google Retail AIT, mostra os possíveis impactos que o Covid-19 pode ter na economia — além de demonstrar como a doença já está afetando diversos mercados. O estudo inicia com uma análise sobre o que se sabe sobre a doença e como ela impactou diferentes países.

De acordo com o relatório, a China é o único país do mundo em estado de remissão nos casos de Covid-19. Até o dia 16 de março, o país asiático havia registrado 81.116 casos da doença, com uma taxa de mortalidade de 4%. Já o país com o pior cenário em relação ao novo Coronavírus é a Itália que havia registrado, no mesmo período analisado, 27.981 casos, com uma taxa de mortalidade de 7,7% — 38% das mortes atingindo pessoas com mais de 70 anos. Os casos vêm duplicando a cada quatro dias.

Efeito na economia global

O estudo aponta uma chance de 53% de recessão econômica nos Estados Unidos no próximo ano. A recessão econômica ocorre quando o PIB de um país encolhe por dois trimestres seguidos.

Atualmente, o efeito do surto na economia global está no estágio 5 (SITREP) — sendo esse o primeiro estágio de contingência. Esse indicador pode variar de zero a dez. O relatório ainda destaca que grandes mercados estão “reagindo fortemente ao surto”.

O impacto estimado no GDP Global varia entre -4% a -23%, a depender da velocidade da recuperação. O GDP Global é uma espécie de PIB mundial.

Efeito no varejo

O relatório analisou dados relacionados ao mercado estadunidense. Com a recomendação das pessoas não saírem de casa, é esperada uma queda de 9% no fluxo das lojas. Grandes varejistas norte-americanas, como Apple e Nike já fecharam suas lojas, reduzindo os riscos de transmissão entre seus funcionários e clientes.

O estudo prevê um crescimento nas vendas on-line, mas não se arrisca a cravar um número relacionado a esse aumento. O “comportamento de estoque”, situação em que as pessoas entendem ser necessário estocar produtos, deve ter impacto no varejo de alimentos e produtos de limpeza.

Economia brasileira

O levantamento destaca que a pandemia teve forte impacto no câmbio brasileiro. Isso deve prejudicar empresas que importam produtos, como redes de varejo de roupas, brinquedos e artigos domésticos. No caso do setor moveleiro, o câmbio alto prejudica a compra de máquinas — o que pode ter impacto na inovação e produtividade.

É necessário frisar que a desvalorização do real frente ao dólar já estava ocorrendo antes do surto de Covid-19. Gustavo Fernandes, economista da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EASP-FGV) explica quais razões estavam contribuindo para esse aumento de valor. “A gente tem um fenômeno de uma crise econômica que vem se manifestando há muitos anos. Esse novo governo sempre se mostrou muito austero, o que contribuiu para uma redução do gasto público. Isso reduziu a demanda e a economia já não vem com uma atividade forte há anos. Isso permitiu uma queda da inflação e uma redução da taxa de juros. O efeito disso no câmbio é o seguinte: quando os títulos da dívida pública brasileira ficam com uma taxa de juros menor, boa parte do capital estrangeiro vai embora porque esses investidores passam a investir em outros países, considerando o risco desses países e taxa de juros que eles oferecem. ”, explica.

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Além dessas questões internas, o Brasil passa a lidar com o efeito que o Covid-19 tem no câmbio — um novo elemento na equação que faz o dólar ficar ainda mais caro. “Existe um aumento da aversão ao risco. As pessoas estão receosas e deixam o dinheiro em praças mais confiáveis. Além disso, o governo brasileiro vem demonstrando uma fragilidade para enfrentar a crise imposta por essa pandemia. Como os juros do Brasil já estão muito baixos e o risco é muito alto, essa fragilidade política contribui para que o câmbio aumente ainda mais”.

Apesar disso, o economista afirma que esse cenário também traz oportunidades para a indústria brasileira. Com o dólar mais caro, o empresário ganha mais ao exportar. Com o custo alto na importação de itens industrializados, como as máquinas, a indústria nacional pode se beneficiar.

Para que isso ocorra, Gustavo diz que é necessário “a mão acertada do governo”, estimulando pesquisa e liberando linhas de crédito para a indústria.

Via Varejo e Magalu sentirão os sintomas do Coronavírus

O estudo mostra que grandes marcas do varejo brasileiro, como a Via Varejo e a Magalu serão prejudicadas pela provável diminuição do PIB brasileiro neste ano. No geral, as ações dessas empresas devem ser impactadas, pois o custo com a aquisição de capital deve se tornar mais caro.

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Foto: Marcelo Casal Jr. (Agência Brasil)

 


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