Varejo de móveis e eletrodomésticos cai 7% em 2021

Considerando apenas móveis, as vendas no varejo diminuíram 1,8%, enquanto as vendas de eletrodomésticos caíram 9,1% na comparação com 2020

Publicado em 23 de fevereiro de 2022 | 07:00 |Por: Thiago Rodrigo

O varejo de móveis e eletrodomésticos em 2021 registrou queda de 7% em relação a 2020. Ao menos o varejo de móveis pode ficar mais satisfeito. As vendas no varejo de móveis em 2021 registraram queda menos acentuada, de 1,8%. Por sua vez, as vendas de eletrodomésticos tiveram queda de 9,1% em 2021, comparado a 2020.

Em dezembro, comparado a novembro de 2021, houve crescimento de 0,4% nas vendas do varejo de móveis e eletrodomésticos. Já em relação a dezembro de 2020, o varejo de móveis e eletrodomésticos recuou 17,6%. Nessa base de comparação, somente móveis teve recuo de 14,6%, enquanto eletrodomésticos teve baixa de 19%.

Foi o sétimo mês consecutivo de resultado negativo na comparação interanual, tendo exercido a maior contribuição para a composição da taxa do varejo, com -1,8 ponto percentual do total de -2,9%. A perda de 7% em relação a 2020, inverteu a trajetória positiva de 2020, uma vez que naquele ano houve acumulo 10,6% com relação a 2019.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada pelo IBGE. Os dados de volume de vendas não mostram o segmento de móveis separado de eletrodomésticos na comparação com o mês anterior.

Atividades no Volume de vendas no varejo
MÊS/MÊS ANTERIOR (1)
MÊS/IGUAL MÊS DO ANO ANTERIOR ACUMULADO
Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%) Taxa de Variação (%)
OUT NOV DEZ OUT NOV DEZ NO ANO 12 MESES
COMÉRCIO VAREJISTA 0,0 0,4 -0,1 -6,8 -4,2 -2,9 1,4 1,4 
4 – Móveis e eletrodomésticos -1,4 -1,2 0,4 -22,7 -21,3 -17,6 -7,0 -7,0
4.1 – Móveis -14,8 -18,1 -14,6 -1,8 -1,8
4.2 – Eletrodomésticos -26,3 -22,7 -19,0 -9,1 -9,1

 

Na receita nominal de vendas do comércio varejista e comércio varejista ampliado, o varejo de móveis e eletrodomésticos cresceu 3,4% em 2021. Do total, 7% foram referente a móveis e 2,3% referente a eletrodomésticos.

Em relação ao mês anterior, a receita nominal do varejo de móveis e eletrodomésticos foi de 1,4%. Enquanto em relação ao mesmo mês de 2020, a receita nominal de móveis (somente) teve variação negativa de 4,1%, enquanto eletrodomésticos teve variação de -9,5% – ambos juntos somaram queda de 8%.

Varejo geral

As vendas do comércio varejista registraram variação de -0,1% em dezembro, mas fecharam o ano de 2021 acumulando crescimento de 1,4% em relação a 2020. Assim, 2021 foi o quinto ano consecutivo de resultados positivos para o volume de vendas no varejo e o resultado foi bem próximo dos dois anos anteriores, que registraram alta de 1,2% (2020) e de 1,8% (2019). O último ano a acumular perdas em relação ao ano anterior foi 2016 (-6,2%).

Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE. O comércio vinha registrando crescimento na primeira parte de 2021 (6,7%), mas teve uma sequência de quedas no segundo semestre, que acabou sendo encerrado com recuo de 3%. O comportamento foi inverso ao ano de 2020, que teve queda no primeiro semestre (-3,2%) e alta no segundo (5,1%).

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“Como o primeiro semestre de 2020 foi marcado pelo início da pandemia de Covid-19 no Brasil, com o fechamento do comércio durante vários meses em boa parte do país, a base de comparação para o primeiro semestre de 2021 era baixa e, portanto, o crescimento nesse período era esperado. Já a segunda metade de 2020 foi marcada pela retomada das atividades, enquanto o mesmo período de 2021 não teve tanta força para o volume de vendas no varejo”, explica o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

Vendas no varejo de móveis em 2021

Cinco setores fecharam o segundo semestre em queda, incluindo móveis e eletrodomésticos (-19,4%). “A atividade de Móveis e Eletrodomésticos teve queda também na passagem de novembro para dezembro (-17,6%). A atividade registra sete meses consecutivos de resultados negativos na comparação interanual, tendo exercido o maior impacto (-1,8 ponto percentual) no total do varejo para o ano. A perda de 7,0% com relação ao ano de 2020, inverte a trajetória de alta (10,6%) registrada na passagem de 2019 para 2020 com relação a 2019”, ressalta Santos.

Segundo o pesquisador, o segmento passa ainda por dificuldades para se adaptar ao rearranjo no consumo que ocorreu para esses produtos em decorrência da pandemia. “Houve uma antecipação de compras por parte dos consumidores, que resultou em um crescimento rápido seguido de queda. Além desse deslocamento do consumo, o setor sofre interferência da alta do dólar e da redução da renda e, portanto, do poder de consumo da população”, avalia.

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