Lojista 429

33 Móbile Lojista 429 | Junho 2026 | Ano XLIV Cerca de 30% das empresas comerciais atingidas ainda não reabriram. Algumas estão em reforma. Outras, cerca de 5%, não voltarão. “Hoje, muitos empresários não sabem como e quando vão voltar. Amaioria não tem recursos próprios para recomeçar”, diz Elias. O gargalo central é crédito. Mais especificamente, a capacidade de oferecer garantias para acessá-lo. Quem perdeu tudo não tem como provar que tem algo a dar em troca. O governo federal anunciou cerca de R$ 2 bilhões para reconstrução emUbá e Juiz de Fora. Na prática, segundo Elias, apenas uma parte chegou à ponta. Dos R$ 500 milhões destinados às duas cidades e geridos pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil, o crédito existe –mas com análise cadastral que muitos dos atingidos não conseguem passar. “Nem todos conseguem contratar devido à análise de crédito a qual são submetidos”, explica. As obras públicas, em sua maioria, ainda nem começaram. Para o professor José Carlos de Souza, da FIA Business School, o problema vai além do imediato. “O crédito existe em muitos casos, mas frequentemente chega atrasado, depende de uma urgência que a própria situação dificulta e exige garantias que o momento não permite que sejam oferecidas”, analisa. Para ele, o que se viu em Ubá não é apenas um problema financeiro, é também institucional e gerencial. “A recuperação depende da velocidade de resposta do Estado, dos bancos, das associações empresariais e da capacidade de coordenação local.” E o Brasil, nas suas palavras, “frequentemente reage bem nas emergências, mas encontra mais dificuldade em manter investimentos preventivos de longo prazo.” A INDÚSTRIA E O COMÉRCIO A assimetria entre indústria e comércio é um dos dados mais reveladores dessa crise. Enquanto cerca de 47 indústrias foram atingidas pelas enchentes, o comércio teve mais de mil negócios impactados diretamente. A concentração econômica de Ubá no setor moveleiro, que sempre foi um ativo, revelou também seu lado de risco: quando o polo para, a cidade para junto. A Indústria de Móveis do Polo (Imop) é um exemplo do que a retomada industrial exigiu. Segundo o gerente de vendas, Alex Laud de Souza, o impacto financeiro foi estimado em R$ 35 milhões. A empresa ficou 60 dias com a produção totalmente paralisada e perdeu cerca de 90% do estoque de produto acabado, além de chapas e insumos químicos. “Recuperamos grande parte do maquinário, como furadores, seccionadoras, esquadradeira de bordo e parte do galpão que foi danificado”, conta. O apoio veio de fornecedores, que priorizaram entregas e ofereceram condições especiais, e de fabricantes parceiros do polo, que disponibilizaram máquinas para antecipar o retorno da produção. Divulgação A Imop ficou 60 dias com a produção paralisada e perdeu cerca de 90% do estoque – a retomada exigiu apoio de fornecedores e parceiros do polo O presidente do Intersind, Gilberto Teixeira Coelho, coordenou a mobilização do polo para apoiar trabalhadores e famílias atingidas pelas enchentes Divulgação

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