Abimóvel articula soluções para crise de matérias-primas nas indústrias do mobiliário

Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário se junta aos setores público e privado na busca por saídas para a instabilidade

Publicado em 26 de março de 2021 | 09:54 |Por: Thiago Rodrigo

A direção da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) se reuniu, na última terça-feira 23/03, com o Ministério da Economia, sob a coordenação do secretário Carlos da Costa. Junto a diversas entidades nacionais, a associação buscou um alinhamento técnico em relação a questão do desabastecimento e aumento de preços no fornecimento dos insumos e matérias-primas.

A reunião ainda contou com a presença — de maneira remota — de representantes nacionais da indústria. Eles colaboraram na apuração de informações e dados de mercado, compartilhando de forma clara e coerente as dificuldades e gargalos pelos quais a indústria nacional vem passando desde o último ano. Assim, reforçaram que a transparência embasada em fatos e números do mercado estão sendo analisados com cuidado e precisão.

Uma das pautas mais delicadas e importantes para a indústria de móveis e colchões nos últimos meses tem sido, indiscutivelmente, a crise no abastecimento de matérias-primas e insumos produtivos variados. Fato que está sendo monitorada de perto pela Abimóvel desde o acirramento da pandemia no Brasil.

Entendendo a situação

A interrupção do comércio físico e da produção industrial, seguida por uma explosão surpreendente do consumo de móveis e colchões durante o ano passado, pegou as empresas com baixos estoques. Levando, então, a um colapso na cadeia de suprimento, que não conseguiu dar conta da demanda urgente e crescente que se estabelecia. Isso deixou a indústria sem material para trabalhar e gerando longas filas de espera no varejo.

Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que em outubro do ano passado a falta de insumos atingiu os maiores níveis em 19 anos, o que se confirma ao ouvirmos os industriais. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 68% das empresas de todos os setores pesquisados pela instituição relataram problemas para encontrar matérias-primas dentro do mercado doméstico no último semestre. Daqueles que importam, a pesquisa mostrou que 56% deles também sofreram com o mesmo impasse.

Com uma expectativa geral de que a situação se estabilizasse no primeiro trimestre de 2021, infelizmente o setor ainda não observa sinais de melhora. O problema continua, entre outras questões, em virtude da disrupção dos processos produtivos, do desequilíbrio cambial e da alta muito significativa no valor do frete internacional em decorrência da pandemia que continua exigindo medidas restritivas e abalando economias ao redor do mundo.

Impacto nas indústrias do mobiliário

Entre as indústrias de móveis e colchões, os problemas mais significativos estão no fornecimento de painéis de madeira, como MDF. Bem como de aço, ferragens e espumas, essenciais para a produção. Dessa forma, muitas empresas já reduziram o ritmo de atividade por falta de matéria-prima. E quem consegue produzir não pode distribuir o produto por falta de embalagens de papelão, plástico e vidros. A escassez, somada ao câmbio desvalorizado, portanto, resulta em alta de preços, que chegam a ultrapassar 170% em alguns segmentos.

Segundo a Abimóvel, todo esse descompasso, não só reprime como também onera a produção. Com os reajustes imediatos na porta da fábrica esmagando as margens das indústrias, que não conseguem repassar o valor para o varejo. Pois, de que maneira repassar esses reajustes enquanto os fabricantes ainda correm contra o tempo para atender aos pedidos represados do ano passado?

Abimóvel busca soluções

Sempre focando o trabalho nos principais interesses da indústria de móveis brasileira, a Abimóvel reforça sua luta na busca por medidas e acordos que visem frear os aumentos abusivos das matérias-primas e insumos. De acordo com a associação, a questão está na mesa das discussões com vários atores envolvidos, onde buscam uma alternativa de solução junto ao Governo Federal e demais entidades de classe, cerca de 100 setores, que também sofrem com o problema.

O grau de dificuldade em relação ao assunto é bastante alto, considerando que este não é um problema exclusivo da cadeia madeira e móveis. Todas as cadeias produtivas estão enfrentando crise no abastecimento. A Abimóvel destaca que continua trabalhando em contato permanente com o Governo Federal e o Congresso Nacional

Indústria de móveis produz 38,3 milhões de peças em 2020

Desse modo, estão conversando sobre o acirramento da pandemia nos polos moveleiros, monitorando dados do setor e da economia, bem como atuando na construção de novas medidas que beneficiem à produção de móveis pelas indústrias do mobiliário do País. Outro assunto determinante é a necessidade de reformas urgentes para o avanço do Brasil. A Abimóvel informa que uma segunda reunião com a equipe do Ministério da Economia deverá ocorrer com atualizações do Governo Federal sobre a questão.

(com informações da Abimóvel)


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